FPJ - FEDERAÇÃO PAULISTA DE JUDÔ
A Montanha dos Sete Abutres

O poder de manipulação que determinados meios de comunicação tentam e, muitas vezes, conseguem exercer sobre nossas vidas, nunca foi tão bem retratado como no clássico “A Montanha dos Sete Abutres” (Ace in the Hole), dirigido pelo inesquecível mestre do cinema mundial Billy Wilder, ele que foi o homem que levantou a saia de Marilyn Monroe, fez Greta Garbo rir e Audrey Hepburn se apaixonar duas vezes por homens muito mais velhos que ela, fez Shirley MacLaine se apaixonar num elevador por Jack Lemmon, e Tony Curtis e o mesmo Jack Lemmon tocarem, como drag queens, numa banda feminina.

Bem, voltando ao assunto, o filme, de 1951, é um violento ataque à imprensa marrom. Kirk Douglas é Charles Tatum, um jornalista sem escrúpulos que, na tentativa de voltar a trabalhar para os jornais de que fora banido, está buscando uma história. Ao descobrir que Leo Minosa (Richard Benedict) é um dono de um velho posto de estrada que está preso nas minas sob a Montanha dos Sete Abutres (local envolto em lendas e mistérios), passa a tudo fazer para que o acidente se transforme numa tragédia sensacionalista. Assim, o ambicioso repórter se une ao xerife (Ray Teal) e à esposa da vítima (Jan Sterling), passando os três, na busca por fama e dinheiro, a explorar pela imprensa a agonia de Leo Minosa.

Se compararmos alguns veículos de mídia da época com alguns outros atuais, podemos perceber que a forma de comunicação pode ter mudado mas a tendência para o jornalismo urubu é a mesma.

Hoje a INTERNET, pelo seu baixo custo operacional e crescente número de usuários, é utilizada para a veiculação de notícias e, claro, também informações sobre o Judô. Mas, mesmo em se tratando do nosso esporte, podemos notar que há uma obsessiva preocupação com os índices de audiência que este ou aquele site consegue atingir. Nesta guerra, similar àquela travada entre os grandes jornais, revistas, redes de TV e rádio, mesmo falando sobre Judô, chegamos à lamentável conclusão de que também vale tudo. Ou seja, em termos de INTERNET, só se faz apologia ao número de visitantes, ou então que tal site conquistou destaque em tal lugar, ou ainda que é manchete em outro, e assim por diante.

No nosso ponto de vista, devemos combater a tese de que uma omoplata quebrada “dá mais IBOPE” (ou número de visitantes) do que um Ippon. Mais ainda, devemos repudiar a insistência de alguns em trazer diariamente ao ar pseudo-escândalos que, além de mancharem a imagem pública do Judô, são relativos a assuntos que poderiam ser abordados sem revanchismo, rancor e sensacionalismo barato.

Há meses a CBJ vem sendo vítima de tal tipo de noticiário. E, no entanto, a verdade é que, dentro das limitações que lhe foram impostas, o prof. Paulo Wanderley tem feito um excelente trabalho frente à desmontada CBJ que herdou.

Por outro lado, sou testemunha, há pelo menos oito anos, da luta que o prof. Simbaldo Pessoa empreendeu pela renovação dos quadros diretivos da CBJ e das pesadas e injustas penalidades políticas que foram impostas a ele e aos judocas do seu Estado pelos então situacionistas. O último pleito do Judô nacional não foi o primeiro em que o prof. Simbaldo teve marcante atuação: já na eleição de 1993 veio este paraibano a São Paulo, de peito aberto e em campanha a favor do então candidato de oposição à CBJ Paulo Wanderley. Na época, eu fui um dos que o recebeu. Atacar o dedicado prof. Simbaldo, não por alguma atitude deste em especial, mas faze-lo em nível pessoal, é faltar com a verdade e tentar atingir de forma soez um homem de bem.

Assim como “A Montanha dos Sete Abutres” foi um filme rejeitado no lançamento pelos jornais da época, sabemos este artigo irá incomodar aqueles que sabem que têm se utilizado da INTERNET como meio de deformar os fatos para transforma-los em “mais noticiosos, mais vendáveis”.

Achamos que a melhor técnica para contrafazer esta situação é a estratégia adotada pelo prof. Paulo Wanderley em não alimentar com réplicas e tréplicas o estômago de veículos que necessitam de carniça para sobreviver, e que estão, a cada dia, galgando um enorme descrédito junto aos leitores. Não? Basta uma pesquisa, por exemplo, junto ao público presente aos inúmeros eventos judoísticos, e perceber-se-á que a maioria lê a divulgação técnica e despreza a conceituação política: as pessoas já sabem que esta última é viciada, comprometida e falsa, já percebem que há um movimento subterrâneo e rasteiro, que tenta indispor atletas e dirigentes, e que, para tanto, não hesita em usar dois pesos e duas medidas, atacando determinada Federação e poupando outra que lhe é, digamos, mais simpática.

Não posso encerrar sem referendar com encômios a atuação do prof. Renato Fruehwirth, presidente da Federação Paranaense de Judô, um dos grandes sustentáculos da campanha que culminou com a renovação da direção da CBJ, e que também tem sido vítima das tais "notícias populares do Judô". Ao prof. Renato, a nossa palavra de incentivo, lembrando que os problemas existem para serem solucionados, e são peculiares a quem realiza, a quem trabalha. Ademais, mais uma vez os bárbaros vandalizaram o recinto, mas não macularam a sacristia. Portanto, a luta continua.

José Jantália

Secretário Geral – Federação Paulista de Judô